Por Blog do Corretor | Da Redação
SÃO PAULO – Neste sábado (27), tive o prazer de comparecer ao aniversário da querida amiga Josy Galvão Bueno. A festa, que também celebrava a nova e belíssima casa do casal Josy & Gustavo, estava impecável, mas os detalhes dessa celebração a gente deixa para uma outra ocasião. O que realmente me fez parar e afiar os ouvidos aconteceu em uma roda reservada, longe do DJ e dos convidados que dançavam alegremente.
O burburinho de bastidor sugeria algo que, num primeiro momento, soou quase como uma heresia ao meu faro jornalístico. José Seripieri Filho, o Junior, estaria avaliando vender a Amil, ou pelo menos uma fatia generosa dela.
Confesso que não dei muito crédito à fofoca. Quem acompanha as trincheiras desse mercado sabe do desejo visceral que Junior sempre nutriu por ter o controle absoluto de uma operadora. Ele foi lá, tirou a gigante das mãos da estadunidense UnitedHealth Group (UHG) assumindo um negócio de R$ 11 bilhões (com R$ 9 bilhões só em dívidas), arrumou a casa, estancou a sangria da sinistralidade e operou um verdadeiro milagre na governança. Fez a companhia sair de um buraco de R$ 4 bilhões de prejuízo para um lucro líquido de R$ 814 milhões no ano passado. Por que ele entregaria a coroa logo agora que o reino voltou a prosperar?
Mas, como costumo dizer por aqui, os barões do mercado não operam com o coração; eles tomam decisões na frieza das planilhas.
A prova de que onde há fumaça, há fogo, veio a cavalo. Neste domingo (28), a jornalista Mônica Scaramuzzo cravou no Valor Econômico aquilo que eu havia escutado na noite anterior. Segundo a publicação, as gestoras de private equity Advent e Bain, velhas conhecidas que já haviam disputado a Amil com o próprio Junior, estariam em conversas avançadas para abocanhar uma fatia relevante da operadora. O objetivo final dessa jogada? Preparar o terreno para uma potencial oferta inicial de ações (IPO) no futuro. Procuradas, as gestoras e a operadora, como manda a cartilha do compliance, não comentaram os “rumores de mercado”.
Aqui entra a nossa lupa analítica, e é para isso que o Blog do Corretor existe.
Nas mãos de Junior, o corretor voltou a ter confiança para vender Amil. O produto recuperou sua qualidade, a rede credenciada respirou e o controle da sinistralidade foi recuperado com gestão de quem conhece o balcão. Houve um equilíbrio virtuoso entre dar lucro e entregar excelência.
No entanto, sabemos muito bem como funciona o apetite do mercado financeiro. Fundos de private equity têm uma fome insaciável por dividendos rápidos e valorização de cotas para um futuro IPO. Se essa venda de fato se concretizar e os engravatados da Faria Lima assumirem parte do leme, o que acontece com a ponta da linha? Esse processo de reestruturação virtuosa continua, ou a Amil estaria condenada a espremer a rede credenciada e o atendimento ao consumidor apenas para garantir que os gráficos de lucro continuem subindo a qualquer custo?
O mercado é faminto, meus amigos. E quando o lucro se torna o único deus de uma companhia de saúde, quem costuma pagar a conta da sinistralidade é o cliente na maca e o corretor que colocou a cara a tapa para vender o contrato.
E você, corretor que está na linha de frente sentindo o pulso do mercado todos os dias: acredita que a entrada de fundos de investimento na Amil vai manter a qualidade que o Junior resgatou, ou estamos prestes a ver a excelência ser sacrificada no altar do IPO?
É só uma indagação.





