No mercado de planos de saúde, marcado por fraudes, inflação médica e regras da ANS que, embora necessárias, geram controvérsias, um dilema persiste: o uso abusivo por associados e clínicas médicas. Pacientes recorrem a consultas desnecessárias, enquanto profissionais, sem uma relação empática — escuta ativa, exame físico —, optam por exames caros e supérfluos. O impacto é brutal: operadoras robustas repassam custos aos beneficiários via reajustes; as frágeis colapsam. Todos perdem. Mas uma luz surge no horizonte. Fábio Carlos Bortolotti, fundador da DOCS Saúde, com 20 anos de expertise — de equipes comerciais a funções administrativas em gigantes como Medial, Blue Life, Porto, Bradesco e Omint —, abraça a conscientização como antídoto. Formado em Direito, com mestrado em Administração pela USP, aos 42 anos, casado e pai de uma filha, ele transforma sua rede de clínicas em parceira estratégica das operadoras. Médicos têm autonomia para exames, mas apenas os essenciais. Bortolotti visa corretores como multiplicadores, propagando uma cultura de eficiência que reduz sinistralidade sem tolher o paciente. Pioneiro como prestador que pensa como operadora, ele elevou consultas de 1.500 para 4.000/mês, com projeção de 15 unidades até fim de 2026. Em entrevista exclusiva ao Blog do Corretor, revela como essa visão executiva pode reequilibrar o ecossistema.
Blog do Corretor (BC): Fábio, você transitou do lado das operadoras para prestador de serviços. Como essa experiência moldou a DOCS Saúde e sua abordagem à sinistralidade?
Fábio Bortolotti (FB): Eu cheguei ao mercado nos braços do veterano Ronaldo Martins e passei por Medial, Blue Life, Porto, Bradesco e Omint. Antes de sair da Omint, já mantinha a clínica paralelamente, com 1.500 consultas/mês. Percebi que estava indo bem e assumi o comando, prestando serviços às mesmas operadoras. Trouxe a visão de quem estava “do outro lado”, não para coibir, mas para reduzir sinistralidade evitando desperdício. Hoje, atendemos Hapvida, Bradesco, SulAmérica, IAMSPE, Unimed CNU, Trasmontano e mais. Atuamos como se fôssemos operadora.
BC: A pandemia forçou reinvenções. Como a DOCS saltou para 4 mil consultas/mês e manteve o foco em conscientização?
FB: Retornei às operadoras durante a crise, com atividades paralelas. Pós-COVID, reassumi e me reinventei. Não fazemos o paciente “passar por dentro da clínica” — pedimos retorno para sequência do tratamento, evitando exames acumulados. Isso equilibra movimento com controle de custos. Temos projeção de crescimento, mas de olho na sinistralidade.
BC: Críticos diriam que clínicas priorizam volume sobre qualidade. Como concilia isso sem prejudicar pacientes ou operadoras?
FB: Não tolho acesso a exames ou internações. É parceria(!) lembrar que operadoras sofrem sem conscientização. Nossos médicos têm liberdade, desde que necessário. No canal de vendas, muitos corretores já praticam isso, mas precisamos ampliar. Chegamos a um patamar onde operadoras nos veem como parceiro, não despesa. Meu background executivo trouxe esse know-how para dentro.
BC: Você quer envolver corretores nessa corrente. Por quê e como?
FB: Corretores são o elo vital. Queremos alcançá-los, além de parceiros atuais. Novas unidades em Moema e Pinheiros estão em vias de assinatura de contrato para se somar às já em operação, rumo a 15 clínicas até dezembro de 2026, em várias especialidades. Seremos pioneiros no apoio consciente às operadoras, destacando-nos pela eficiência sustentável.
BC: Qual o impacto real dessa cultura no mercado? Exemplos concretos?
FB: Centros clínicos, inclusive de operadoras, acumulam custos desnecessários. Nós evitamos isso. Paciente faz exame, retorna ao médico para prosseguir. Resultado? Sinistralidade controlada, crescimento sem ônus excessivo. É uma energia que pode se propagar.
Essa entrevista reforça o rompimento paradigmático no setor. Prestadores como a DOCS Saúde não competem com operadoras, mas as fortalecem. Bortolotti prova que conscientização técnica, aliada a visão executiva, pode mitigar o ciclo vicioso de abusos, beneficiando todos os elos da cadeia.
O canal de vendas precisa se inspirar em Fábio Bortolotti!
DOCS Saúde
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