Alice fixa meta de 100% do time de negócios fluente em IA até agosto e cria programa próprio para chegar lá 

Programa combina trilha de aprendizagem prática, skill tutora, acesso de todo time ao Claude e agenda semanal aberta com o CTO

Por Alice

SÃO PAULO – As empresas estão adotando inteligência artificial mais rápido do que conseguem preparar as pessoas para usá-la. Apenas um em cada 50 investimentos em IA gera transformação real para o negócio, segundo pesquisa do Gartner divulgada pela Harvard Business Review, e parte do problema está na falta de informação das pessoas que precisam incorporá-la ao trabalho. A Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável, decidiu atacar essa lacuna pela ponta do desenvolvimento: colocou 100% do time de negócios (140 pessoas) em um percurso para atingir fluência em IA até agosto de 2026, com trilha de aprendizagem, skill de tutoria e ferramentas para que cada pessoa chegue lá.

Por trás da meta há uma razão de negócio concreta. A Alice projeta crescer de forma expressiva até 2027 sem ampliar o time de negócios na mesma proporção e isso só se sustenta se cada pessoa passar a operar em outro patamar de produtividade. Fluência em IA deixou de ser diferencial individual e virou condição de operação. Foi por isso que a empresa transformou o tema em meta corporativa com prazo. Para a Alice, isso é menos um treinamento e mais uma transformação organizacional e cultural: mudança de mentalidade somada a capacitação. O objetivo não é que as pessoas saibam operar uma ferramenta, mas sim que passem a pensar de outro jeito. 

Como ferramenta de base, todo o time de negócios tem acesso ao Claude Cowork, agente de IA da Anthropic com o qual profissionais de qualquer área constroem e executam soluções sem depender de filas de demandas técnicas. O desenvolvimento acontece no AcelerAI, trilha de aprendizagem estruturada pela área de People por meio da frente de Learning. O formato é prático: desafios de duas semanas resolvidos em duplas, conteúdos curados para cada desafio, aulas com o time de tecnologia e um tutor de IA – uma skill que cada participante instala no Claude e usa para tirar dúvidas e praticar ao longo da trilha. O CTO da companhia mantém ainda um horário semanal aberto a qualquer pessoa do time para destravar dúvidas e evoluir soluções.

“O que a gente quer é que pensar em IA vire natural para quem não é da tecnologia. Antes de alocar recurso para um problema, a pergunta passa a ser: como a tecnologia poderia ajudar aqui? Como eu amplifico meu impacto com IA? Isso muda a forma de trabalhar, de pensar e até de montar times”, afirma Sarita Vollnhofer, CHRO da Alice. Os primeiros ciclos do programa, realizados em março e abril com mais áreas da empresa, já envolveram cerca de 300 pessoas e resultaram em 25 soluções construídas pelos próprios times de negócio, além de dezenas de agentes e skills de IA incorporados à rotina, reduzindo tempo e custos da operação.

Empresa AI-Native

A meta de fluência é o segundo capítulo de um ciclo que a Alice iniciou em abril de 2026, quando declarou a ambição de se tornar a empresa mais AI-native da América Latina. O primeiro capítulo foi a engenharia: desde maio, todo o código da companhia é produzido com IA e os engenheiros atuam como arquitetos de sistemas. Agora, a mesma lógica alcança operações, atendimento, finanças e as demais áreas de negócios. 

Para a empresa, mais IA significa mais resultados. A operadora projeta chegar a R$ 2 bilhões de receita anual recorrente e 160 mil membros até o fim de 2027 sem expansão proporcional do time de negócios, com a produtividade de pessoas mais fluentes em IA como alavanca desse crescimento. “Estamos usando IA para que cada pessoa consiga fazer mais do que realmente importa. Reconstruir o sistema de saúde pede gente operando em outro patamar e a fluência é o que torna isso possível para todo mundo, não só para quem trabalha com tecnologia”, afirma a executiva.

Na visão da operadora, fluência em IA é, no fundo, uma decisão de modelo de saúde, coerente com o que sustenta a Alice desde o início. “O tempo que o time libera da operação vira capacidade de cuidado. É mais uso inteligente dos dados de cada membro, mais antecipação de risco, mais ação antes que o problema apareça. No fim, fluência em IA é isso: tempo devolvido para gente cuidar de gente”, conclui Sarita. 

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