A suspeita de que a Happlan seja o braço comercial com DNA da Hapvida
Por Emmanuel Ramos de Castro | Da Redação
Testemunhei, não faz muito tempo, uma espécie de lua de mel entre o canal de vendas de São Paulo e a Hapvida. A Convenção Premiada, no Vila Country, foi um sucesso absoluto, de público e de expectativa. Afinal, tratava-se da maior operadora de planos de saúde do Brasil, intensificando sua atuação no maior mercado do país com números que impressionavam. Carteira crescendo com números estratosféricos. Na carteira, no bolso e na Bolsa.
Só que crescer rápido demais cobra pedágio. E não é só no resultado. É na cultura, na operação e, principalmente, na experiência do cliente. Fausto, de Goethe, que o diga.
Depois do tombo na Bolsa, a Hapvida parece ainda não ter se livrado de um certo mal-estar. E, ao que tudo indica, esse desconforto começou a escorrer para onde dói: o relacionamento com o canal corretor. O ruído hoje não é exatamente sobre “tamanho”, mas sobre qualidade, previsibilidade e confiança.
Sentindo o ambiente azedar, mesmo com grandes corretoras subindo ao palco para receber honrarias por volumes milionários em vendas, começou a circular nos corredores um “movimento de resistência”. Em resumo, o recado seria “ou arruma a casa, ou não vendemos”. Um gesto que mistura pressão comercial com instinto de autopreservação. Porque, no fim e ao cabo, é o corretor que fica na linha de frente quando o cliente liga irritado.
E quando um movimento assim aparece, a reação costuma vir no mesmo idioma, estratégia.
Nos bastidores, corre entre donos de corretoras a informação de que a Hapvida supostamente teria passado a fortalecer um modelo de “assessoria própria”, nos moldes do que já funcionaria em Fortaleza (CE), estado de origem da Hapvida. A peça mais comentada desse tabuleiro atende pelo nome Happlan, um trocadilho evidente, e carrega o slogan ambicioso, “Juntos somos imparáveis”.
A leitura que o mercado faz, e aqui eu ressalto: leitura de bastidor, não afirmação categórica, é que a Happlan funcionaria como um caminho para a Hapvida reduzir dependência justamente de players que tentam impor condições para continuar comercializando os produtos da operadora cearense.

De acordo com o material e informações que circulam no setor, essa assessoria teria sete anos de atividade, estaria presente em nove estados, manteria exclusividade na comercialização dos produtos Hapvida e, em identidade visual e discurso, lembraria a própria operadora. Ou seja: não soa como “mais uma assessoria” comum; soa como um braço com DNA de operadora.
Se isso é, de fato, uma “saída de emergência” diante do clima no canal, só o travesseiro do Jajá pode confirmar. O que dá para dizer, sem forçar a barra, é que seria uma estratégia inteligente e eficiente do ponto de vista de distribuição, pois, cria redundância, organiza o fluxo comercial e diminui a vulnerabilidade a boicotes, atritos ou oscilações de relacionamento. Uma sacada de mestre, convenhamos.

Agora, a pergunta que interessa ao mercado (e ao corretor) é outra: como essa estratégia conversa com o canal tradicional de São Paulo? É complemento? É concorrência? É recado? É proteção? E, acima de tudo, como isso se encaixa no esforço de recompor confiança na ponta, onde atendimento e reputação realmente se decidem?
Vou procurar o posicionamento oficial da Hapvida sobre esses pontos e publicá-lo ao final deste texto, para que o leitor tenha o outro lado com a mesma visibilidade.
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O OUTRO LADO
Procurada pela reportagem, a Hapvida informou que não possui assessoria própria de vendas. Segundo a operadora, a Happlan é uma empresa independente que optou por se especializar nos produtos Hapvida, adotando o modelo monomarca — ou seja, comercializa exclusivamente os planos da operadora cearense por decisão própria, sem vínculo societário ou estrutural com a Hapvida.



