Plano coletivo empresarial responde por três de cada quatro vínculos odontológicos; carteira idosa cresce 16,6 vezes em 20 anos, mas individual encolhe 2,1%
Por IESS
SÃO PAULO – Os planos exclusivamente odontológicos atingiram 36,7 milhões de beneficiários em junho de 2026, recorde da série histórica, com alta de 7,6% em 12 meses e 2,58 milhões de vínculos adicionais. Os dados são da 120ª edição da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que traz análise especial sobre duas décadas do segmento (veja aqui).
Em dezembro de 2005, o País tinha 6,2 milhões de beneficiários. Desde então, a carteira incorporou 30,5 milhões de vínculos, expansão de 492%, e a taxa de cobertura saltou de 2,7% para 17,1% da população. Para o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, não se trata apenas de crescimento numérico, mas de transformação na forma de contratação e no perfil etário da base coberta.
O motor desse avanço tem nome: plano coletivo empresarial. Em 2005, reuniam 3,1 milhões de beneficiários e respondiam por 50% da carteira. Hoje são 27,5 milhões, ou 75% do total, tornando-se 8,9 vezes maior em duas décadas. Nos últimos 12 meses, o segmento cresceu 8,8%, com 2,2 milhões de vínculos adicionais. Como observa Vianna, o benefício corporativo ganhou peso ao longo do tempo e hoje responde por três de cada quatro vínculos odontológicos no País. A leitura é clara: o crescimento do setor está atrelado ao mercado de trabalho formal, não à contratação individual.
Outro dado que merece atenção é o envelhecimento da carteira. Em 2005, 126,4 mil pessoas com 65 anos ou mais tinham plano odontológico. Em junho de 2026, são 2,1 milhões, aumento de 16,6 vezes em duas décadas. A participação dessa faixa passou de 2% para 5,7%. “O avanço entre os idosos ocorre em velocidade muito superior à expansão total da carteira”, observa Vianna, destacando a importância da saúde bucal em todo o ciclo de vida diante do envelhecimento populacional. Regionalmente, o Sudeste lidera com 20,7 milhões de beneficiários e alta de 8,2%. São Paulo ganhou 922 mil vínculos, chegando a 12,3 milhões.
A NAB também registra 53,1 milhões de beneficiários de planos médico-hospitalares, alta de 1,4% em 12 meses, com 759,2 mil vínculos adicionais. Os coletivos empresariais cresceram 2,5%, de 37,9 milhões para 38,9 milhões, enquanto os individuais ou familiares perderam 180 mil beneficiários, queda de 2,1%. O movimento reflete o mercado formal de trabalho, que cresceu 2% no período, passando de 47,1 milhões para 48 milhões de postos. Serviços respondeu por 680,3 mil novas vagas, seguido por comércio (148,9 mil) e construção (95,7 mil).
O dado consolidado é inequívoco: os coletivos empresariais concentram 75% dos beneficiários odontológicos e 73,2% dos médico-hospitalares. Nos 12 meses encerrados em junho, essas carteiras cresceram 8,8% e 2,5%, respectivamente. A saúde suplementar brasileira, portanto, caminha no rastro do emprego formal. Enquanto a contratação coletiva avança, o plano individual perde espaço de forma consistente, o que coloca questões estratégicas para corretores e operadoras: onde está o futuro da venda individual e como capturar valor em um mercado cada vez mais corporativo?





